quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Inesquecível

Não foi tecnicamente meu primeiro beijo, mas foi Meu Primeiro Beijo, com letra maiúscula mesmo. Na verdade, foi meu primeiro beijo completo. O primeiro ou os primeiros beijos tinham sido com medo, eu era uma recatada garotinha de 13 anos e tinha medo (talvez nojo) de colocar minha língua junto a língua de outra pessoa. Beijava lábios apenas. Foi assim duas ou três vezes, com dois garotos diferentes, até que Ele apareceu, Meu Primeiro Beijo. E veio junto com meu primeiro amor. Ah, essa doçura dos primeiros encontros, essa sensação feliz e destemida que os apaixonados sentem. E tinha que rolar o Primeiro Beijo. Como foi? Me buscou na minha casa. Na rua Streiff 456 (ainda me lembro o número dessa casa!). Lembro que meu pai era, acho que foi ele quem atendeu a campainha e disse: "É o Roberto. O Roberto está te chamando no portão." O Roberto era o menino que eu gostava há pelo menos um ano e meio. Estava loucamente apaixonada por ele. E nunca na minha vida, como nunca na minha vida eu me reservei e fiquei sem contar para ninguém, circulava a informação entre os amigos, que por sua vez falaram com os amigos dele, ou amigos do meu irmão... (ele foi companheiro do meu irmão na escola). Eu me reprimia. Escrevia em papelzinhos. Escrevia em segredo para ele. Lhe escrevi uma carta que era muito brega, que muitos anos mais tarde li (nunca a entreguei) e me matou de rir e até tirei minhas lentes multifocais para chorar de rir. Detalhe: esse menino estava namorando quando eu o conheci. E namorando uma menina muito conhecida da escola. Bem, pior: ele se tornou conhecida naquela época com seu corpo escultural, sua irmã saindo com meu irmão... Ainda assim, nunca perdi a esperança e naquele dia, naquela tarde (já tinha terminado o namoro) e me chamou no portão para dar uma volta. E claro que eu fui.